Entrevistamos: Cat Dealers

Uma das maiores duplas da música eletrônica nacional, o Cat Dealers conversou com a gente às vésperas do seu tão aguardado show do Rock in Rio. Confira:

Cat Dealers

Amados por muitos, sejam fãs de música eletrônica ou não, o Cat Dealers é um dos projetos mais bem sucedidos do cenário eletrônica brasileiro atual. Formado pelos irmãos Pedro e Lugui, o duo já viajou o mundo, em diversas tours e hoje, está presentes em grandes eventos brasileiros, seja do circuito eletrônico ou fora dele.

Com uma discografia repleta de hits, o Cat Dealers prepare-se para um dos seus shows mais esperados do ano, o do Rock in Rio, no palco New Dance Order. Nós conversamos com o Pedrão, que falou com a gente sobre o RiR, a carreira, o cenário musical brasileiro e outras coisas, na conversa que você pode ler abaixo. Entrevistamos: Cat Dealers!

Beat for Beat – Eae Pedrão, beleza? Para começar, ambos de vocês aprenderam bastante sobre produção musical pela internet. Qual foi a maior dificuldade que vocês tiveram de primeiro momento e como foi o processo de finalização da primeira track juntos?

Cat Dealers – Cara, acho que a maior dificuldade foi achar conteúdo para aprender, principalmente porque é muito difícil você achar coisas em português. Hoje em dia deu uma melhorada, mas quando a gente começou a produzir, tinha pouca coisa em português. Nós sempre falamos inglês, então tivemos um pouco mais de facilidade, por isso acho que nossa maior dificuldade foi conseguir transformar nossas ideias em algo e passar para o computador.

B4B – Como surgiu a ideia então de batizar o nome do projeto? Porque o duo começou a se chamar Cat Dealers? Qual era o intuito de não mostrarem o rosto durante o início da carreira de vocês?

Cat Dealers – O nome Cat Dealers veio porque nossa mãe começou ajudar os gatos de rua. Pegou vários gatos para doar, mas acabou que ela se empolgou, achou que ia salvar todos os gatos do mundo haha. Aconteceu que ela pegou vários, mas não conseguiu doar, ou seja, acabaram ficando muitos gatinhos lá em casa. Todo mundo que vai em casa, a gente oferece um gato, porque teoricamente, eles estão lá para doar. O nome veio daí, já que tentávamos ser “Dealers” de gatos. O intuito de não mostrar o rosto era porque a gente tinha outro projeto e não queríamos misturar as coisas. Achávamos que o outro projeto tinha muito potencial também, e não demos a cara para os outros não ficarem dizendo que nós fazíamos outro som. Acabou que o Cat Dealers bombou muito rápido e o outro projeto já “morreu”. Percebemos que esconder o rosto acabou sendo uma ferramenta de marketing boa, estava gerando muita curiosidade.

Cat Dealers
Cat Dealers em 2016, quando não mostravam os rostos nas redes sociais

B4B – Vocês foram pioneiros nos remixes de ‘Oração‘ e ‘Ai Ai Ai‘, criando parte do grande sucesso de músicas brasileiras que ganharam as pistas de todo o Brasil e mundo. Como surgiu a ideia de inserir músicas em português nos sets de vocês? Quais são os artistas do Brasil que vocês almejam um futuro feat?

Cat Dealers – Eu não acho que fomos pioneiros. Na verdade estava em uma fase que muita gente estava fazendo isso em português, e nós entramos na onda. ‘Oração’ já estava sendo revivida. A galera já estava tocando uma outra versão de ‘Oração‘, que é mais antiga e nós fizemos um remix mais atual. A ideia de inserir a música em português foi mais ou menos isso, foi orgânica. Um movimento no Brasil que nós pegamos no início e foi legal porque tem muito brasileiro que não fala inglês. Em português, todos conseguem cantar, fica uma coisa mais pessoal, muito mais legal. E artistas do Brasil que nós almejamos um futuro feat é a banda Melim. Queremos fazer uma música com a Vanessa da Mata também. Foi um prazer fazer um remix oficial de uma das músicas dela, mas gostaríamos agora de uma música oficial.

B4B – Fazendo parte de grandes hits em rádios pelo país, o Cat Dealers também ganharam o coração dos brasileiros ainda não experientes quando se fala sobre música eletrônica. Como funcionou o estudo de um show como o do último réveillon em Copacabana ou até mesmo em festivais como o Skuta Festival, que tem um grande apelo sertanejo? Como é a reação do público ‘não raver’ ao participar de um show de vocês?

Cat Dealers – Isso daí é meio orgânico. Porque quando começamos, a gente também tinha só como referência os DJs de música eletrônica. Não tínhamos muitas referências de Djs que tocavam em festivais mais populares, só o David Guetta. A gente sempre assistiu muitos shows das nossas referências, e escutávamos quando eles tocavam, a reação do público. Quando estávamos iniciando, fomos ao máximo de shows que podíamos ir. Vimos muitas coisas e construímos uma base. Quando começamos a ter mais oportunidades fomos nos virando, percebendo o que ia funcionando e o que não ia. Fomos criando o set que sentíamos que ia funcionando. Foi um estudo de tentativa e erro praticamente.

A galera que não é da música eletrônica normalmente se amarra no nosso show. A gente faz um set bem pra cima, com músicas famosas e a galera costuma curtir. Nós gostamos muito de tocar para uma outra galera, sem ser o público do eletrônico, porque a gente aprende muito tocando com eles. É a mesma coisa de tocar para outra cultura. Quando estamos em outro país, também é bem diferente as coisas que eles escutam e que eles gostam. Vira meio que uma parada cultural, como se a cultura dessas pessoas que não gostam de música eletrônica, fosse um pouquinho diferente, mesmo sendo do mesmo país.

Cat Dealers

B4B – O Rock in Rio é um dos maiores festivais de música do Brasil e do mundo. Além da sua apresentação, vocês pretendem participar do evento como público, andando pela Cidade do Rock e curtindo shows? Que artistas pretendem assistir?

Cat Dealers – Não sei se vamos conseguir por causa da nossa agenda. No dia que vamos tocar, vamos ter que sair logo depois do nosso show, temos show nos Estados Unidos. Teremos que sair direto. Só que vamos chegar antes, vamos dar uma volta. O Rock in Rio tem uma vibe irada de festival, com um monte de bandas que eu gostaria de ver. Mas esse ano, infelizmente, acho que será difícil de aproveitar. Mas um role vamos dar com certeza!

B4B – Sem dúvidas, um dos shows mais aguardados deste ano é a participação de vocês no Rock in Rio 2019. Quais são as expectativas de vocês para estrear no palco New Dance Order?

Cat Dealers – A gente está muito empolgado. A vibe é bizarra e a galera está em um clima surreal. O palco esse ano está muito grande, está bem maior do que a gente tocou em 2017. O show será bem maior do que o da edição passada e nós já estamos nos preparando pra isso. Visualmente o show também estará cheio de novidades, então a galera pode esperar porque estamos chegando com coisas novas.

B4B – Pra finalizar, o 2º semestre de 2019 está apenas começando. O que podemos esperar do Cat Dealers para o restante desse ano, além do RiR, é claro?

Cat Dealers – A gente tem muita coisa esse ano. Esse ano quase não paramos em casa, tocamos muito no exterior e isso é muito legal. Cada ano estamos tocando mais fora, tocando pelo mundo. Esse ano vamos ter mais turnê na Ásia, vai ter turnê nos Estados Unidos, e é isso, a gente está muito empolgado. Vai ser um final de ano intenso, para nós e para nossos fãs, então estejam preparados. Ah, Nos vemos no RiR!

Comentários

Editores do Beat for Beat. Apaixonados pela música, pela pista e uma boa taça de gin.