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Entrevista

Entrevistamos: Diogo Strausz no The Town

Produtor musical, compositor e multi-instrumentista, Diogo Strausz é um artista completo e conversou com a gente durante o The Town. 

Edição: Carlos Vinicius

Diogo Strausz é produtor musical, compositor e multi-instrumentista. Crescendo no Rio de Janeiro, desde cedo demonstrou um talento pródigo para a composição, e essa mesma paixão por criar música ainda hoje inspira Diogo como produtor musical e remixer. Dividindo-se entre o Brasil e a França, o artista possui um currículo impressionante e que agora, conta também com uma apresentação no The Town.

Conversamos com Diogo durante o festival e o artista nos falou sobre a conexão Brasil x França, sua relação com a tecnologia, sua musicalidade, artistas com quem trabalhou e muito mais. Confira agora nosso papo na íntegra.

Beat for Beat – Estávamos vendo umas entrevistas suas antigas, lá para 2015 e você não tinha nem smartphone, você falava que não curtia tecnologia. Agora em 2023, cerca de 8 anos depois, como está a sua relação com a tecnologia, principalmente quanto à sua música?

Diogo Strausz – Está em uma relação de busca por algo que é saudável, e que não faça com que eu não perca o meu eixo, com tanto estímulo, com tanta informação que mexe com a nossa ansiedade, que mexe com as nossas inseguranças, mexe com as nossas questões. Então é difícil você achar um equilíbrio entre uma relação em que você usa o smartphone, mas o smartphone não te usa, mas eu me rendi nesse sentido, porque a gente precisa de alguma maneira estar inserido, se comunicando, trocando com as pessoas, então a relação está sendo ponderada, é uma relação de ponderação.

B4B – Hoje em dia a gente sabe que muitos artistas prezam por uma identidade virtual, como TikTok e dancinhas virais. Como é que você vê isso para a sua carreira ou você não vê isso para a sua carreira? 

Diogo Strausz – Cara, eu vejo. Eu vejo, tento falar a verdade, falar sobre como foi a minha semana, sobre o que eu estou trabalhando. Eu tento não contar uma história de algo que não aconteceu. tento me apropriar da minha vida, da minha carreira, do meu dia a dia enquanto artista e contar isso, dividir para as pessoas e estar aberto para que elas também respondam e a gente comece uma conversa a partir daí, mas a partir da realidade e não da virtualidade ou dessa hiper virtualidade.

Diogo Strausz

B4B – Você se divide entre Brasil e França, principalmente. Como é que você vê a diferença de públicos?

Diogo Strausz – Vejo o público do Brasil para um live de dance music, um público mais curioso pelo formato. É um público que naturalmente é mais festeiro, mais animado, mais performático. 

Vejo na França um público mais acostumado com esse formato, mas que fica mais deslumbrado e impressionado com a novidade da cultura brasileira que está inserida no live, com as congas, com o remix de ‘Deixa a Gira Girar’ de Os Tincoãs, que inclusive eles conhecem a música original toda, a galera é fã, curte e conhece. Com a estética da língua portuguesa, que como é um live de dance music, o objetivo é que as pessoas dancem, se conectem com a nossa cultura, com os seus corpos, entre elas próprias, então vejo essa como a principal diferença.

B4B – E de uma maneira musical, o que você tenta levar do Brasil para a França e o que você tenta trazer da França para o Brasil?

Diogo Strausz – Eu tento trazer do Brasil aquilo que é essencial nosso, então a nossa musicalidade, a nossa junção antropofágica e multicultural e que criou uma identidade que é nossa, e que é única, em ritmos, em claves. Uma coisa que vem do samba, do choro, do Ijexá, do axé music, de como a gente reinterpretou também outros ritmos e gêneros internacionais. Busco trazer isso, essa nossa essência. 

E tento, de alguma maneira, pegar de lá o frescor. É uma maneira que eu acho interessante que eles têm de enxergar tudo, que é até um olhar que é deles. Acho que lá eles tentam se apropriar e, ao tentar se apropriar, eles acabam adicionando algum frescor. E eu acho que nós, que somos os detentores da versão original, precisamos ter também o cuidado de trazer frescor para aquilo que é nosso essencialmente. Então eu tento pegar isso deles, direcionar um olhar fresco para algo que é essencialmente nosso e que a gente já tá acostumado.

B4B – Quando falamos de artistas brasileiros que você já trabalhou, temos a Alice Caymmi, Bala Desejo, a Júlia Mestre, que tocou com você no The Town. Como é introduzir toda essa galera dentro da sua musicalidade? 

Diogo Strausz – Quando você trabalha com mais pessoas é sempre uma relação de diálogo, de troca, de escuta, e aí depende de que posição que a gente tá, se é uma posição de produtor musical do disco da pessoa ou uma posição de mais serventia. Acho que enquanto artista a gente também sempre precisa estar numa posição de serventia, mas aí não só mais ao nosso colaborador, mas também a nós, a quem a gente imagina que vai ser a audiência daquele som.

Acredito que no fim é um jogo de conciliar tantas coisas e ao mesmo tempo se manter criativo, se manter conectado com as suas ideias e no final das contas encontrar um resultado que seja completamente novo, completamente inesperado do que você acreditava quando você começou o processo. Você começa sabendo que você não sabe nada e você termina muito orgulhoso de que algo saiu daquele encontro.

B4B – Com quem você quer trabalhar que você ainda não teve a oportunidade? 

Diogo Strausz – Cara, eu queria trabalhar muito com Gilberto Gil, porque pra mim é um artista que fez isso na época dele, da maneira dele, com a tipografia dele, ele tem esse olhar que é global, que é antropofágico e que ele soube relacionar o frescor global com a essência da nossa música. 

B4B – Falando de sonoridade, como é trazer tudo isso pra dentro da música eletrônica? Nós vivemos num mundo hoje que o melódico tá em alta, o funk também, tem gente misturando samba com música eletrônica. Estão cada vez mais conseguindo explorar a música eletrônica e a música brasileira juntas. Como é pra você tentar se manter original?

Diogo Strausz -Acredito que seja justamente isso, essa pluralidade que você descreveu é um desafio que motiva todo mundo. Eu acho que inclusive cada vez mais pessoas vão enxergar a dance music como uma plataforma de exploração musical da nossa cultura e como uma possível plataforma pra gente explicar nossa cultura mundo afora, isso é muito atrativo. Como a dance music ela traça limites muito claros em relação ao que é possível e o que não é.

Dance Music, por exemplo, tem dance e tem music. Começa daí já, né? Você precisa manter uma audiência dançando, precisa de pulso, precisa estabelecer um andamento claro, até para definir um pouco dentro de algum tipo de gênero. Os timbres que você usa vão definir que tipo de gênero você está trabalhando. E é legal esse tipo de limitação porque elas mostram, que, aqui tá o zero e aqui tá o um. Entre o zero e o um você tá livre pra você fazer tudo o que você quiser, e isso expande a sua mente. Expande a sua percepção do que é possível e do que não é. Porque, contanto que eu esteja entre aqui e entre ali, o céu é o limite, então vamos abraçar isso.

B4B – E você como pessoa, o que você consome de música? 

Diogo Strausz – Nossa, eu consumo jazz, funk soul, disco music. Engraçado, eu consumo pouca música eletrônica no meu dia a dia. 

Às vezes também gosto muito de quando eu estou produzindo para algum artista, deixar que esse artista proponha uma playlist pra eu entrar no universo dessa pessoa, e aí ele sugere coisas que eu não pensaria normalmente. Mas eu tento sempre escutar música que desafia o ouvinte de alguma forma, mas ao mesmo tempo que também não seja só sobre desafiar o ouvinte de uma forma egocêntrica do artista. Gosto de música que é generosa, que é inclusiva, mas que ela sabe ser inclusiva, e te dar um puxão, e te desafiar, e falar, ó, eu consegui fazer isso que você achava que sabia e eu consegui fazer de uma maneira nova. Te fazer pensar, como é que você fez isso? Que legal, quero saber também.

Diogo Strausz

B4B – Falando agora sobre o The Town, como foi a preparação pro seu show, para uma estreia de um festival tão grande quanto esse? 

Diogo Strausz – Tivemos a participação da Julia Mestre no show, e isso por si só já propõe várias novidades. Eu introduzi no live o remix que eu fiz pra uma música do Bala Desejo, que é um projeto do qual ela faz parte, e a gente também preparou um remix especial da música ‘Meu Paraíso’, que é uma música que ela lançou no disco dela. Então temos duas músicas que foram preparadas especialmente pra participação dela, para esse palco e para essa primeira edição histórica do festival.

B4B – 2023 está na sua reta final, alguns artistas estão desacelerando, outros não. Como você está para esse final de 2023? E já pensando no começo de 2024, o que você tem preparado para pós The Town?

Diogo Strausz – Para pós The Town, eu tenho algumas outras datas no Brasil, temos shows agora no Sul, em Porto Alegre, em Florianópolis; Estou fechando mais algumas outras datas aqui, Sul, Sudeste e Nordeste, o que é ótimo, ver o live circulando, ver o interesse crescendo. Eu tenho alguns lançamentos, vou lançar o meu próximo EP pela Crack Records da França, chamado ‘Samba From Outer Space’, aproveitando que você falou que o samba é um assunto, e a próxima turnê Europa marcada para março, e por enquanto é isso, e coisas ainda por vir, coisas sendo fechadas. 

B4B -Muito obrigado, Diogo! 

Diogo Strausz – Imagina, obrigado a vocês!

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DJ, Produtor, Redator, Libriano e Sonhador. Trance para amar e Techno para dançar, com uma taça de Gin para acompanhar. Onde é o after?

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