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Entrevista

Entrevistamos: Dre Guazzelli

Um dos artistas mais camaleônicos da cena eletrônica nacional, Dre Guazzelli, conversou com a gente sobre sua vida, seus projetos e muito mais. Confira!

Dre Guazzelli

Dre Guazzelli | Foto: @befazio

DJ, produtor musical, empresário, Dre Guazzelli é com toda certeza, um dos grandes nomes da cena eletrônica nacional. Dono de uma personalidade marcante e única, Dre cativa a todos e transmite uma paz gigante, seja durante seus sets ou quando compartilha com o mundo, sua vida pessoal e vivências e é essa paz e muito conhecimento, que ele divide com a gente nesse papo. Entrevistamos: Dre Guazzelli


Beat for Beat – Fala Dre! Que prazer te receber por aqui. Vamos começar falando um pouco sobre seu relacionamento com a música. Como você iniciou seu sonho? Quais memórias vem à sua mente quando você lembra do primeiro insight que você teve para se tornar o que é hoje?

Dre Guazzelli – Acho que meu sonho começou na primeira vez que pisei o pé numa balada e entendi aquela energia que rolava. Desde então o sonho foi sendo implantando, regado e ele se intensificou muito na primeira vez que fui pra um festival em Alto do Paraíso na Transcendence, isso entre 2003 e 2004, ou seja, são cerca de 17 anos de sonho, metade dos anos que estou vivo, já que tenho 35 anos. São 17 anos que eu tenho tocado e realizado sonhos constantemente, que foram se expandindo com o passar do tempo.

Quando fui na Transcendence e vi toda interação com a natureza, convivi com aquelas pessoas por vários dias no meio daquela terra mágica, eu voltei decidido, junto com dois amigos, a fazer um curso de DJ e iniciar a produção de uma festa e aqui estamos hoje, tocando, produzindo música, realizando sonho de ter um estúdio e mais do que nunca, produzindo conteúdo próprio. Hoje não é um sonho só meu, é um sonho que tenho junto com outras pessoas e isso é muito maravilhoso.

Dre Guazzelli

Com certeza suas turnês pelo mundo foram um ponto chave para você se tornar este grande profissional da nossa cena. O que você aprendeu viajando que pode compartilhar com os novos produtores e seu tão querido público?

Dre Guazzelli – Viajando eu aprendi ainda mais a gostar da música eletrônica como uma árvore e entender que ela tem muitos galhos, que representam os estilos musicais e que cada um o seu momento especial, desde um lounge a um deep house, até o techno e tech house. Eu fui saboreando e ao mesmo tempo pegando essa característica de pista, de ser camaleônico e se adaptar desde o pôr-do-sol até um set mais forte no meio da madrugada. Essas viagens me ajudaram a entender a diferença e quão rica a música eletrônica é, seja com sua diversidade de artistas ou os diferentes momentos para cada música.

É muito bom também visitar os lugares e poder pegar situações que no fim das contas eu poderia absorver e aplicar no Brasil, com o público brasileiro. O Sábado Dre Tarde veio dessa vontade de eu querer tocar um som que não poderia tocar numa balada de madrugada e poder criar uma festa no fim da tarde, coisa que em São Paulo ainda não existia. Eu juntei algumas coisas que eu via nas viagens, como por exemplo o Burning Man, onde já toquei 4 vezes, onde é comum você olhar a pessoa no olho, além de seguir regras básicas de convivência, que deveriam ser ideais para um mundo melhor e a Dre Tarde tem muito desse espírito. Tudo foi nascendo durante as minhas viagens e isso enrique ainda mais a alma, ver que aquilo que você tanto idealizava, é possível.

Dre Guazzelli

Dre Guazzelli no Burning Man

Você levou seu estilo de vida para dentro e também para fora das pistas, assumir esta identidade tão única te ajudou ou prejudicou? Como foi levar seu lado pessoal abertamente para o lado profissional?

Dre Guazzelli – Desde o inicio eu acabei seguindo um caminho de muita coragem, de agir com o coração, como por exemplo com relação a minha família, que nunca foi contra, mas que eu era o ponto de atenção para todos, já que não tenho histórico de músicos ou pessoas envolvidas com eventos. Era algo novo para todo mundo, incluindo para mim, mas eu nunca deixei de seguir aquela vontade interna de poder me expressar e ser o mais completo possível. Eu sempre quis ser o meu próprio laboratório e mostrar para as pessoas o que funciona e o que venho praticando, desde atividades de bem-estar, esportes, misturado com baladas, alimentação saudável e isso foi me moldando, o que resulta numa personalidade única e que, por mais que no começo parecesse confuso até para mim, eu tinha uma certeza interna de tudo.

Eu acho que nada me prejudicou em momento nenhum, mas eu percorri o caminho mais longo, porém o caminho verdadeiro de uma vida inteira. Não é o alto e o baixo do sucesso de uma música, é uma constante evolução de um ser humano que gostaria de ser exemplo para outras pessoas e mostrar que sim, existem muitas coisas de fora que a gente pode pegar como referência do que podemos ser, mas sem querer ser alguém que já exista. É se apropriar de qualidades, mas ao mesmo tempo moldar ao que chamamos de ser único. Mesmo com referências, precisamos escutar o coração para seguir um caminho único.

Dre Guazzelli

Vamos falar um pouco sobre seu novo projeto, a label ‘Never Stop Dreaming Records’. Como funcionará a escolha do seu time? Qual a principal mensagem que você quer passar com seu selo no mercado atual?

Dre Guazzelli – A Never Stop Dreaming segue a risca seu nome e é sobre nunca parar de sonhar e serve para mim mesmo como um aviso para ter uma certa agilidade na hora de lançar uma música e criar uma certa independência, assim como o Sábado Dre Tarde nasceu para que eu não dependesse de contratantes e tivesse minha própria festa para que eu tocar o que eu realmente sinto e gosto, a gravadora funciona bem nesse âmbito.

Na Never Stop Dreaming eu posso lançar com liberdade e poder conectar mais artistas. Ainda vou abrir para receber outros artistas, mas no começo eu quero fazer uma espécie de incubadora e trazer pra perto quem merece atenção, quem está disposto e está criando. Eu já tenho um sistema de festas para poder colocar um artista que eu eventualmente lance na gravadora, fazer uma collab, quero criar um imã para novos artistas e quando eu for lançar algo meu, linkar com um propósito ainda maior.

Quero poder destacar o artista que fizer a capa de um lançamento, como a Duca que fez a arte de ‘Sonhos‘, nosso primeiro lançamento. Eu também criei uma rifa que sorteou uma tela dela e todo o valor arrecadado foi enviado totalmente pra ela, que ajudou nesse momento que vivemos, que foi acentuado quando a filha dela ficou doente e o dinheiro foi de grande ajuda. São essas pequenas ações que quero fazer com cada uma das minhas músicas, desde a capa, ajudar um artista, uma ação social… teve também parceria com o Peninha, compositor da letra que já foi interpretada por tanta gente e a colaboração com a CARAIVANA, que representa minhas idas a Caraíva, na Bahia. Ter algo a mais com essas músicas me motiva a sempre fazer algo com personalidade e diferente.

O ‘Sábado Dre Tarde’ com certeza é um dos maiores projetos em sua carreira. Infelizmente estamos em isolamento, mas sabemos que em breve estaremos todos juntinhos para comemorar novamente sábados especiais. Existe algum momento dentro da sua festa que te marcou para sempre?

Dre Guazzelli – Eu acho que o Sábado Dre Tarde é um presente de mim pra mim mesmo, de ver que é possível realizar um sonho depois de tantos anos de carreira, afinal, eu tenho cerca de 17 anos de estrada e a festa nasceu depois de uma década tocando.

Com toda certeza a festa vai voltar. Eu tenho vontade de fazer uma tour por todo o Brasil e quando os eventos retornarem de fato, essa possibilidade será ainda maior do que antes, já que o artista dela sou eu, o que deixa a festa com custos bem menores do que aquelas que trazem nomes internacionais, por exemplo, já que envolve preço de dólar, agendas que, com toda certeza, estarão mais apertadas. Será mais fácil fazer um Dre Tarde ao redor do país e esse é um dos meus objetivos.

Já os momentos da festa são sempre muito únicos. Cada edição tem algo marcante, mas se tem algo que sempre se repete é a sensação de unidade com a pista, entre mim e todos que estão ali, criando uma espécie de universo paralelo, onde todos estão felizes, conectados, se sentindo bem e mais do que tudo, todos presentes naquele momento.

Dre Guazzelli Sábado Dre Tarde

Dre Guazzelli no Sábado Dre Tarde | Foto: Sigma F

Por falarmos em pandemia, como está sua relação com o isolamento? O que você extrai deste momento tão incomum para todos nós? Obrigado!

Dre Guazzelli – A pandemia está servindo para reorganizar alguns pensamentos e sentimentos. Colocar alguns projetos em prática, como a Never Stop Dreaming e ela nos fez olhar pra dentro, para tentarmos achar certas respostas que vêm com as práticas e as boas práticas.

A gente entendeu que precisamos prestar atenção em coisas mais simples, como o fato de parar um pouco, respirar e a evolução disso seria a meditação. Eu intensifiquei a prática da yoga e tento mostrar isso pras pessoas, como a prática de um esporte diário, que é tão necessário ou uma alimentação balanceada, para que a gente consiga equalizar os pensamentos.

Por outro lado, a situação atual também me deu um pouco mais tempo para ficar em estúdio. Eu sempre sonhei em ter música própria, e por isso construí o estúdio a 2 anos, mas foi desde março eu tenho usado ele como nunca usei antes. Minha perspectiva de artista é passar de um DJ para um produtor com muita música própria. Eu comecei a explorar um universo que eu ainda não explorava antes.

Agora eu quero que minha música chegue a mais pessoas, que eu consiga conectar mais pessoas, artistas, principalmente aqueles que não são da música eletrônica e trazer para minha linguagem usando meu faro de DJ e eu só tenho agradecer esse momento que criei só pra mim, mesmo diante da situação como um todo. Esse é o único momento que nós temos hoje e que a vida apresentou assim, estou tentando extrair o melhor disso, para também ser um Dre melhor do que eu era e se todo mundo fizer isso, o mundo será melhor para todos nós.

Dre Guazzelli

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Editores do Beat for Beat. Apaixonados pela música, pela pista e uma boa taça de gin.

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