Na estreia do B2B, Eli Iwasa e Camila Jun falam sobre sintonia, protagonismo feminino e a expectativa para o Rock in Rio. Confira:
Depois de construir trajetórias sólidas na música eletrônica brasileira, Eli Iwasa e Camila Jun vão dividir o palco pela primeira vez num B2B. O encontro acontece no New Dance Order, no Rock in Rio, e une duas artistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da cena nacional.
Em entrevista ao Beat for Beat, elas falaram sobre a expectativa para esse B2B inédito, a construção do set, a força da presença feminina no festival e o que esperam que o público leve dessa experiência.
—
Beat for Beat – Você está celebrando 25 anos de carreira e acompanhou a evolução da música eletrônica brasileira de diferentes perspectivas. O frio na barriga antes de um palco como o Rock in Rio ainda existe?
Eli Iwasa – Existe, e talvez até mais do que antes. A ansiedade aumenta conforme o festival se aproxima, principalmente porque estamos preparando um show pensado especialmente para o Rock in Rio.
Esse B2B com a Camila é inédito. A gente se conhece há muitos anos, mas nunca tocou junto. Foi muito bonito perceber como tudo foi acontecendo de forma natural, desde a seleção musical até os visuais. É uma construção feita por muita gente e que ficou ainda melhor do que imaginávamos.
Voltar ao Rock in Rio justamente no ano em que completo 25 anos de carreira torna tudo ainda mais simbólico. É um dos maiores festivais do mundo e sempre representa um marco para qualquer artista. Compartilhar esse momento com uma mulher tão talentosa quanto a Camila torna essa apresentação ainda mais especial. O frio na barriga é inevitável, mas ele vem acompanhado de muita alegria e da vontade de mostrar tudo o que preparamos.
B4B – Sua carreira ganhou projeção nacional nos últimos anos, mas esse caminho começou muito antes. Como é deixar de ser uma promessa para ocupar um espaço de protagonismo na cena?
Camila Jun – É interessante falar sobre isso porque hoje existe uma ansiedade muito grande para que tudo aconteça rapidamente, mas uma carreira artística leva tempo para ser construída.
Eu toco há nove anos e frequento a cena de música eletrônica há muito mais tempo do que isso. Minha projeção nacional aconteceu principalmente depois da pandemia, mas existe uma história muito longa por trás, tanto como DJ quanto produzindo eventos.
Também existe um desafio para quem vem de fora do eixo Sul-Sudeste. Sendo de Brasília, naturalmente esse reconhecimento levou mais tempo para acontecer.
Por isso, estar no Rock in Rio ao lado da Eli é muito simbólico. É a convergência de duas trajetórias construídas com muito trabalho e dedicação. Depois de tantos anos, ver essa promessa se transformar em realidade em um palco desse tamanho é um sentimento difícil de colocar em palavras.
B4B – Apesar de fazerem parte da mesma cena há anos, este será o primeiro B2B de vocês. Por que este era o momento certo para esse encontro acontecer?
Eli Iwasa – O Rock in Rio merece encontros especiais. Quando surgiu a ideia do B2B, eu queria dividir esse momento com alguém que eu admirasse profundamente, respeitasse e reconhecesse artisticamente.
Vejo na Camila uma artista muito verdadeira, que construiu sua carreira com coerência e enfrentou muitos desafios para chegar até aqui. Por isso, fazia sentido que esse encontro fosse também simbólico: duas mulheres ocupando um dos maiores palcos do país.
Camila Jun – Quando recebi o convite, pensei exatamente nisso. O público do Rock in Rio merece assistir a encontros que tenham significado.
Esse não é apenas um B2B entre duas DJs. É o encontro de duas artistas que construíram suas carreiras em momentos diferentes, mas sempre de forma muito verdadeira. Acho que isso torna essa apresentação ainda mais especial.
B4B – O que cada uma acredita que pode aprender com a outra durante esse primeiro B2B?
Camila Jun – Todo B2B já é um aprendizado por natureza. São dois projetos diferentes que precisam conversar de forma fluida.
Eu admiro a Eli há muitos anos e aprender com ela começou antes mesmo desse convite. O que mais me inspira é ver alguém com 25 anos de carreira continuar aberta a experimentar novos caminhos sem deixar de ser fiel à própria identidade. Além disso, toda essa troca de repertório, referências e ideias durante a preparação tem sido extremamente enriquecedora.
Eli Iwasa – Também vejo o B2B como uma oportunidade de sair da zona de conforto, e eu gosto muito disso.
Cada parceria abre novas possibilidades musicais, novas formas de construir um set e novas conexões. Depois de tantos anos de carreira, continuar aprendendo e absorvendo novas ideias é justamente o que mantém tudo vivo, inspirador e estimulante.
B4B – A presença feminina na música eletrônica cresceu muito nos últimos anos, mas ainda desperta discussões sobre representatividade nos grandes festivais. Como vocês enxergam esse momento?
Eli Iwasa e Camila Jun – É muito especial fazer parte de um line-up como esse. É importante lembrar que, no New Dance Order, todos os artistas são headliners. Não existe uma divisão entre quem é mais ou menos importante. Estar ali significa ocupar um palco principal da música eletrônica dentro de um dos maiores festivais do mundo.
Ao mesmo tempo, é muito bonito ver tantas mulheres fazendo parte desse momento. Isso mostra uma transformação que vem acontecendo na cena e reforça que esses espaços precisam ser cada vez mais diversos. O mais importante é que a gente esteja ali pela nossa música, pela nossa trajetória e pelo que construiu ao longo dos anos. Isso acaba inspirando outras pessoas e fortalece todo o cenário.
B4B – Quando o set de vocês terminar no Rock in Rio, qual é a sensação que esperam que o público leve daquela pista?
Camila Jun e Eli Iwasa – A gente espera que as pessoas saiam com a sensação de terem vivido uma experiência verdadeira. Que sintam a conexão que a música proporciona e levem consigo essa energia para além do festival.
Também queremos despertar a curiosidade de quem talvez esteja tendo um primeiro contato com a música eletrônica e, ao mesmo tempo, emocionar quem já faz parte dessa cena há anos. Se as pessoas forem embora inspiradas, felizes e com vontade de viver mais momentos como esse, vamos sentir que cumprimos o nosso papel.
Para mais informações sobre o Rock in Rio, clique aqui.
