A um mês do Rock in Rio, GIU sobre a preparação para o B2B inédito com Carola, o desafio de levar a essência do underground para o RiR e mais.
Falta apenas um mês para os portões do Rock in Rio se abrirem e, entre os nomes que prometem movimentar o New Dance Order, a GIU chega vivendo um dos momentos mais importantes da carreira. Com uma identidade construída entre a pesquisa musical, a energia das pistas e projetos como o Clubinho, a artista vem conquistando cada vez mais espaço dentro e fora do Brasil, sem abrir mão de uma curadoria que valoriza a descoberta e a conexão com o público.
No festival, GIU dividirá o palco com Carola em um B2B inédito, pensado especialmente para o Rock in Rio. O encontro promete unir duas artistas que enxergam a pista como um espaço de troca, representatividade e construção de experiências.
Em conversa com o Beat for Beat, GIU falou sobre o desafio de equilibrar underground e mainstream em um festival desse porte, a preparação para o B2B, a importância de ocupar grandes palcos com propósito e a expectativa para um dos momentos mais aguardados de sua trajetória. COnfira:
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Beat for Beat – Hoje muita gente conhece um DJ por postagens nas redes sociais, mas a experiência de verdade acontece na pista. Como você faz para equilibrar essas duas coisas sem perder a sua identidade?
GIU – As redes sociais despertam a curiosidade das pessoas e acabam alcançando um público que, muitas vezes, ainda não frequenta as festas onde eu toco. É uma forma de fazer com que mais gente conheça o meu trabalho e se interesse por ele. Mas, para alguém realmente virar fã, é na pista. É vivendo o set, dançando e tendo aquela experiência.
Eu tento equilibrar isso não postando apenas conteúdos que possam viralizar, mas também mostrando a minha identidade, seja nas campanhas de lançamento ou compartilhando um pouco da minha vida. As redes sociais também servem para criar uma conexão diferente com o público, uma conexão que a pista, por si só, não proporciona.
E o contrário também acontece: quando uma música funciona muito bem na pista, a gente já percebe que ela tem potencial para engajar nas redes. Uma coisa acaba alimentando a outra, e isso faz com que mais pessoas conheçam o som e tenham vontade de viver essa experiência ao vivo.
B4B – Quando a gente dessa experiência que você proporciona, precisamos citar o Clubinho e sua alma underground. O Clubinho nasceu antes dos grandes festivais entrarem na sua vida. O que daquele clima de festa entre amigos você faz questão de levar para um palco como o Rock in Rio?
GIU – Sonoramente, esse é um movimento que já vem acontecendo desde que comecei a tocar em grandes festivais e em festas com propostas diferentes do Clubinho. Acho que fui encontrando esse meio-termo, entendendo como levar essa energia para outros palcos.
As pessoas gostam de ser surpreendidas, e a gente aprende, com o tempo, quais elementos despertam isso. Às vezes é um vocal nostálgico, uma acapella que todo mundo reconhece ou qualquer detalhe que vá além da música e desperte um sentimento.
Mas o principal é manter o clima de uma festa entre amigos, onde as pessoas se sentem acolhidas e conectadas. Acho que isso também pode existir em um grande festival. Na verdade, festivais são lugares incríveis para criar esse tipo de conexão. É muito fácil fazer amizade quando todo mundo está vivendo a mesma experiência intensamente.
No fim, é esse sentimento de interação, proximidade e conexão entre as pessoas que eu mais faço questão de levar para qualquer palco.
B4B – Falando do seu repertório, o que você traz do Underground e o que você pega do Mainstream, para um evento como o Rock in Rio?
GIU – Eu gosto de levar músicas que tenham uma identidade forte, faixas que talvez não tenham tido tanto espaço ou não sejam tão conhecidas, mas que funcionam muito bem na pista. Acho importante manter essa personalidade musical e apresentar coisas novas para o público.
Ao mesmo tempo, um festival pede uma energia diferente. Não dá para montar um set pensando só em quem já conhece o meu trabalho. Muita gente que está ali talvez nunca tenha me visto tocar, então o desafio é conquistar esse público e fazer com que ele queira ficar na pista.
Encontrar esse equilíbrio entre apresentar algo novo e, ao mesmo tempo, manter as pessoas conectadas é um processo que a gente vai desenvolvendo com o tempo. É um dos maiores desafios, e também uma das partes mais legais de tocar em um festival como o Rock in Rio.
B4B – Você e a Carola vão fazer um B2B inédito no Rock in Rio. Vocês gostam de planejar tudo ou preferem deixar espaço para as surpresas que acontecem na hora?
GIU – Com certeza existe uma preparação. O Rock in Rio é um festival muito importante e a gente quer contar uma história através desse set. Ao mesmo tempo, também queremos deixar espaço para o inesperado, para alguma coisa que aconteça na semana, no dia ou até durante a apresentação. É importante ter essa margem para a surpresa.
Desde o início, estamos pensando em tudo: os visuais, a seleção das músicas, como o set começa, qual narrativa queremos construir e qual mensagem queremos transmitir. Um set é isso: uma forma de contar uma história por meio da música.
E o Rock in Rio sempre carregou mensagens que vão além da música, trazendo discussões importantes e conectando pessoas. Acho que esse também é um papel nosso: levar essa essência para a pista e entender que ela também pode ser um espaço para transmitir ideias e criar conexões.
B4B – Sobre essas pautas, o quão importante é trazer elas para o palco, levantar nossas bandeiras e identidades? Como vocês pretendem fazer isso?
GIU – A gente tem conversado muito sobre isso, porque o Rock in Rio é um dos festivais que mais abre espaço para essas pautas. E, no momento que estamos vivendo, é muito importante falar sobre temas que geram consciência coletiva.
Como duas mulheres ocupando um espaço que ainda é desafiador, principalmente na música eletrônica, acreditamos que essa é uma pauta indispensável. É algo que queremos levar para o palco, mas também para tudo o que envolve essa apresentação: o antes, o durante e o depois, como estamos fazendo aqui.
Mais do que falar sobre representatividade, queremos mostrar, na prática, que é possível. Que mulheres podem ocupar grandes palcos e que, na música eletrônica, isso não deve ser exceção, mas cada vez mais uma realidade.
B4B – Pra finalizar, quando o set de vocês terminar no Rock in Rio, qual é a sensação que você espera que o público leve daquela pista?
GIU – Espero que as pessoas saiam da pista com vontade de viver mais a música eletrônica. É um gênero que faz muito sentido no presencial, na pista, vivendo aquela experiência junto com outras pessoas. Acho muito difícil alguém entender toda a força da música eletrônica ouvindo apenas em casa.
Para quem ainda não tem tanto contato com esse universo, espero que o Rock in Rio desperte essa vontade de conhecer mais.
E, acima de tudo, espero que as pessoas saiam inspiradas. Esse sempre foi um dos sentimentos mais marcantes para mim depois de assistir a um grande set. É algo difícil de explicar, mas que desperta vontade de criar, de sonhar e de buscar coisas novas. Acho que esse é o melhor legado que uma apresentação pode deixar.
