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Entrevista

Entrevistamos: Mamba Negra no The Town

Representando a mamba negra, uma das maiores festas undergrounds de São Paulo, Paulete Lindacelva e Valentina Luz brilharam no New Dance Order do The Town.

Paulete Lindacelva

Valentina Luz e Paulete Lindacelva no The Town (I Hate Flash, 2023)

Corpos livres, união, respeito, admiração à música e um transe absoluto do tempo coloquial. Se você já foi até uma Mamba Negra com certeza já sentiu todo esse impacto bem próximo do seu estado de êxtase. O selo foi homenageado no palco New Dance Order, do The Town, maior festival de música de São Paulo, trazendo para o encerramento de palco Paulete Lindacelva e Valentina Luz, duas representações da comunidade LGBTQIAPN+, que abraçaram a identidade da Mamba, após o acolhimento que tiveram, tão próximas de sua liberdade.

Valentina Luz tem um repertório que inclui house music, techno ou até funk nacional. Paulete Lindacelva completou nove anos de carreira como exímia pesquisadora dos sons essenciais da house music, techno e outras vertentes. Ambas se encontraram nos palcos e também deram uma palavra conosco, para celebrar seus anos de Mamba:

Mamba Negra Showcase no The Town (I Hate Flash, 2023)

Beat for Beat – Olá, meninas, tudo bem? Preciso comentar que ambas, tanto Valentina quanto Paulete, foram duas de nossas entrevistas mais acessada do nosso site e vocês são sempre queridas por nossos leitores. Para começar, gostaria de saber como é para vocês representarem uma festa tão importante como Mamba Negra aqui no The Town e como foi criar e transcrever esse convite em um set.

Paulete – Ah, eu acho que foi uma delícia, foi gostoso. Óbvio, é uma honra, tá? Dividir no palco, já falei isso inúmeras vezes, com a cabeça da mama negra, Valentina Luz, que foi considerada a melhor deles no ano de 2021. Então, óbvio, eu repetir isso sempre, é uma honra pra mim, é uma delícia, é um deleite. Tantos outros coletivos que passaram neste palco e foi uma curadoria muito respeitosa em ceder espaço para quem de fato constrói a noite de São Paulo, com a essência underground, que remonta as geografias afetivas dessa cidade e do que é a essência da música, de que é a sonoridade paulistana real.

Valentina – É sempre uma honra fazer parte desse coletivo tão rico e que cede tantas oportunidades e que hoje pode dar essa oportunidade para nós, que já tínhamos essa vontade de tocar juntas, então amei muito. Eu sempre admiro muito o trabalho da minha amiga Paulete Então, acho que a gente até acabou trocando sobre isso, sabe? Somos corpos livres e hoje o nosso set também traz uma troca entre nós que já existia, construindo uma narrativa sob um DJ set que só o nome da Mamba traz. Durante muito tempo achei difícil disso acontecer, eu não esperava, mas está acontecendo.

 

Beat for Beat – Nós também ficamos muito emocionados em ver vocês celebrando juntas. É muito representativo para nós LGTQIAPN+. E a base do DJ set, você chegaram a construir juntas ou será na raça?

Valentina – Acho que a gente já se conhece bem, a “lete” já toca bem mais tempo que eu, nós até já tocamos algumas vezes, mas nada oficial como agora sabe. Então sempre teve essa vontade. Eu acredito que podemos ter uma liberdade criativa nesse back to back. Lógico que a gente conversou, a gente até queria se encontrar, mas eu acho que é a energia da banda mesmo, sabe? Que a gente tem que trazer na hora do show. Eu realmente levo meu free style e sempre dá bom.

Paulete – Pra mim também funciona da mesma maneira. A gente, inclusive, se ligou, trocou mensagem pra saber quais eram as expectativas sobre a noite e tal, mas enfim, né? Quem sabe faz ao vivo. Bora ver.

 

Beat for Beat – A Mamba é uma das principais representantes da cena underground de São Paulo. Como vocês analisam, não só a Mamba, mas a cena como um todo, comparada a outras cenas locais do mundo?

Valentina – Das trocas que tive acho que o Brasil é sem dúvida, único. O público é único e nós sim somos a crista da onde, as nossas sonoridades ocupam espaços, são até meio cooptadas, também temos pluralidade a nível musical, não só no Brasil, mas como em outros países da América Latina. Temos grandes produtores, grandes DJs e temos grandes surpresas como a retomada da importância do funk 150 bpm e suas novas experiências. Enfim, o Brasil é singular e único neste contexto.

Paulete – São Paulo é incrível. Tenho passado os últimos meses viajando muito e voltar para casa é sempre tão bom. De um barzinho que você consegue tocar para no máximo 50 pessoas e que em minutos tudo se torna um acontecimento, com todos dançando. As pessoas dançam. As pessoas daqui estão interessadas em conhecer o novo e eu sinto que meu trabalho é reconhecido aqui. Sempre tive muito medo de sair de casa, mas hoje me sinto segura aqui e nosso papel, meu e da Valentina é se levar esse pedacinho daqui para o resto do mundo. Levar essa energia contagiante para outros locais.

Paulete Lindacelva

Mamba Negra Showcase (I Hate Flash, 2023)

Beat for Beat – Para finalizar nossa conversa, eu acho que vocês duas já pegaram muuuuuitas mambas, mas quando a gente fala sobre aquele momento que vocês viveram na mamba negra, o que vem à cabeça?

Valentina – A melhor mamba da minha vida foi a mamba com Fango. Foi uma das minhas primeiras, assim e era uma festa mais intimista, enfim, perto do que está hoje, mas eu lembro que eu não conseguia acreditar, estava amanhecendo, as performances acontecendo, a galera perfeita!

Paulete – A minha, com muita dor no coração, foi a “água de chuca”, dezembro de 2018. Queimei meu celular, dancei muito, me acabei muito, não estava trabalhando, no fim eu peguei minha bolsa e o celular queimado, depois de tanta água, uma loucura, uma delícia, apoteótica diria. Uma hecatombe de amor, foi maravilhoso!

Beat for Beat – Muito obrigado pela entrevista meninas!

Pós graduado em comunicação e marketing digital pela Universidade Belas Artes de São Paulo. DJ, produtor de eventos, PR, poeta e workaholic. Amante de um bom som, um por do sol e uma boa taça de gin tônica.

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