Filosofia Pop debate Charli xcx, McKenzie Wark, pista e liberdade

Mediado pelo curador Ali Prando, o encontro do Filosofia Pop refletiu sobre a música eletrônica e o espaço das festas como momento social.

Filosofia Pop - Clementaum e André Alves - Charli xcx e McKenzie Wark

Com a presença de um dos maiores nomes emergentes na música eletrônica brasileira, Clementaum, e com o psicanalista André Alves, do “Float Vibes”, um dos podcasts mais ouvidos da América Latina, o quarto encontro do Filosofia Pop contou com um debate sobre as conexões entre a obra musical de Charli xcx e da filósofa contemporânea McKenzie Wark, com destaque a seu livro “Raving”.

“Para mim, a conversa entre eu, André Alves e Clementaum foi especialmente importante por outro motivo: pensar a cultura de clube e a festa como tecnologias de produção de liberdade”, conta Ali sobre o que rolou evento: “No Brasil, isso aparece em fenômenos gigantes e profundamente distintos entre si – do carnaval de rua à aparelhagem, do rap e hip hop aos bailes funks, das festas independentes de rua às pistas de clubes underground. Práticas culturais que produzem comunidade, prazer, subjetividade e formas de existência, mas que muitas vezes continuam sem o reconhecimento, a estrutura e o apoio do estado da forma que merecem”.

Traçando a linha entre Charli e o trabalho de Wark, ele acrescenta: “Em ‘Raving’, McKenzie Wark trata as drogas como uma espécie de ‘spice’, algo que modifica a percepção sem substituir aquilo que realmente acontece na pista: dançar com outras pessoas, aprender a estar junto, cuidar de alguém, criar vínculos e experimentar um tempo diferente do cotidiano, como é na música de Charli xcx”.

Com uma perspectiva única sobre a representação da noite nas obras dessas duas artistas e pensadoras, Clementaum afirma que o evento foi “iquinic e importante porque aproximou dois espaços que nunca deveriam ter sido tratados como opostos”.

Para André Alves, o projeto também carregou uma importância ainda maior nesse momento social “em que empilhamos músicas, episódios e posts na velocidade x2”. Segundo o psicanalistam, “É vital cultivarmos nossa capacidade crítica, assim como dissolvermos as distinções entre alta cultura e baixa cultura. Nesse sentido, o grande mérito do Filosofia Pop é convidar a teoria para dançar”.

Sobre o FILOSOFIA POP:

Entre os dias 6 de agosto e 24 de setembro, o Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, recebe, com entrada gratuita, o Filosofia Pop, uma série de debates que discute a obra de artistas musicais, como Madonna, Lady Gaga e Beyoncé, a partir do pensamento de diversos filósofos contemporâneos. Idealizado e mediado por Ali Prando – curador, artista e criador de ecossistemas culturais, o evento junta jornalistas, artistas, pesquisadores e produtores culturais para refletir sobre as conexões entre cultura pop e filosofia.

Ao longo de oito encontros gratuitos, sempre às quinta-feiras, diversos especialistas da filosofia e da música sentam-se para conversar sobre as linhas que podemos traçar entre David Bowie, Madonna, Beyoncé, Charli XCX, Björk, Lady Gaga, Rosalía e SOPHIE, e as teorias dos pensadores Gilles Deleuze, Judith Butler, Angela Davis, Donna Haraway, Jack Halberstam, McKenzie Wark e Mark Fisher.

Sobre ALI:

Curador e pesquisador, e atua na interseção entre música, cultura queer e produção cultural contemporânea. Sua prática curatorial se organiza como uma leitura do tempo presente, articulando artistas, linguagens e situações que tensionam normas estéticas e sociais, abrindo espaço para a construção de utopias queer.

ALI é criador de projetos como o Festival Transforma Música e Cartografias Queer, e desenvolve sua atuação em diálogo com circuitos internacionais, com formação pela Academia de Festivais e pela Associação Europeia de Festivais. Seus projetos conectam cena, pensamento e experiência, entendendo a curadoria como construção de futuros radicais.

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