Sombras cerimoniais, tensão hipnótica e magnetismo oculto atravessam ‘Masked Ball’, de Jocelyn Pook no remix de Kowikan. Escute agora.
Inspirada na peça que ganhou notoriedade como trilha de uma cena emblemática em “Eyes Wide Shut”, onde máscaras e olhares se entrelaçam em um rito de passagem que subverte e desvela, essa versão de ‘Masked Ball’ remixa a composição original de Jocelyn Pook com uma abordagem que evoca espaços internos e externamente ritualísticos.
A presença de vocais evocativos — que têm origem em gravações de liturgia romena trabalhadas de forma a criar texturas misteriosas — é reconfigurada por Kowikan em um percurso que sugere olhar além da superfície, uma dialética entre oculto e manifesto que atravessa o corpo e a atenção do ouvinte. Ouça aqui.
No campo sonoro desse remix, a atmosfera cresce em camadas que respiram densidade e revelação. Há momentos em que as texturas parecem pender para dentro, como se cada elemento estivesse conferindo sentido a um gesto ou a um sussurro, enquanto outras aberturas se projetam para fora, criando sensação de espaço ampliado e respiração coletiva. A energia interna oscila entre tensão e liberação, sugerindo um jogo de luz e sombra que circula em torno de cada detalhe sonoro. A experiência é menos sobre direções lineares e mais sobre ruminações sensoriais: pequenas variações que se irradiam, pulsando sob uma superfície que parece tanto convidar à introspecção quanto instigar à presença plena do agora.
‘Masked Ball’ no remix de Kowikan aponta para uma presença que questiona e revela, uma música que se constrói como ritual e como interrogatório de sentidos.
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