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Editorial

Precisamos conversar sobre o Alok

Considerado um dos maiores DJs do mundo, o DJ e Produtor Alok se apresentou na Rede Globo e dividiu opiniões. Leia nossa reflexão sobre o assunto:

Alok Rock in Rio

Alok no Rock in Rio 2019

No último sábado, dia 02 de maio, Alok realizou um grande feito, ao transmitir uma apresentação na maior emissora desse país, a Rede Globo, além do canal fechado Multishow, a plataforma de streaming Globoplay e o Youtube, onde chegou a reunir 1 milhão de pessoas simultaneamente e já ultrapassa as 10 milhões de visualizações, mas tal feito dividiu opiniões e nos sentimos na necessidade de falar sobre o assunto.


Alok Achkar Peres Petrillo, ou simplesmente Alok, é o tipo de artista que desde muito cedo, teve contato com a música eletrônica. Seus pais, Ekanta e Swarup, são precursores do psytrance no Brasil e donos de um dos maiores festivais do mundo, o Universo Paralello. Alok cresceu no meio do cenário eletrônico e podemos dizer que sim, ele tem um enorme conhecimento sobre o assunto, o que aponta para outro fator importante: ele sabe muito bem o que está fazendo.

Muitos podem não se recordar ou fingem não lembrar, mas cerca de 10 anos atrás, a música eletrônica no nossos país ainda era bem marginalizada.Nossa música era considerada de “gente louca”, nossas festas associadas ao consumo excessivo de drogas e a cena brasileira era ainda muito pequena, principalmente se comparada a outros países do tamanho do nosso. Foi então que Alok, ao descobrir o lado mais comercial do gênero eletrônico, começou a mudar todo um cenário que estava engessado, ao lado de outros nomes que também estavam na luta. Sim, devemos ao Alok, muito do que aconteceu na música eletrônica brasileira nos últimos anos.

Alok Carnaval

Alok, no seu próprio trio de carnaval em São Paulo

A música eletrônica brasileira sempre foi mais fechada. As raves e festivais de psytrance são mais restritas ao público deles e o techno é mais complicado de ser entendido por uma pessoa sem tanta vivência assim. Dessa forma, sons mais comerciais, como brazilian bass do Alok, acabam sendo a porta de entrada para outros tantos gêneros. É muito comum nos depararmos com pessoas que começaram com aquelas músicas que tocam na rádio e hoje, formaram outras opiniões dentro da cena eletrônica, migrando pra outros gêneros. Mas tudo precisa ter um ponto de partida.

O que o Alok tem feito nos últimos anos, é exatamente isso: apresentar nosso estilo musical tão amado, para as massas e provando que aquele esteriótipo tão marginalizado, não existe mais. Ele tem colocado a cara a tapa, seja para a própria cena que não o apoia mais, quanto para o resto do mundo, que sempre recriminou a música eletrônica. Alok tem cumprido seu papel de DJ, que é educar musicalmente e levado um pouco da cultura que nasceu lá nos anos 80, com o surgimento da house music e perdura por todos esses anos, com suas mudanças e inovações. Em entrevista concedida para nós, em 2018, ele já falava sobre esse assunto, que parece nunca ter fim:

É engraçado como nós vamos caminhando, nós passamos por ciclos. Eu comecei lá atrás no psytrance, depois passei pro Deep House, Techno e ai eu comecei a fazer o Brazilian Bass e hoje estou indo pra uma caminho mais EDM, posso dizer assim, mas diferente. (…) Eu não gosto de ficar parado, como eu disse, são ciclos. Eu não tenho uma ancora em mim,  eu tenho raízes que me alimentam, mas não fico estagnado. Meu set hoje está bem versátil, tem a pegada EDM, o Br Bass, tem POP, Reggaeton, Funk, mas sempre misturado com música eletrônica.”

Alok Tomorrowland

Alok no palco principal do Tomorrowland 2019

Para muitos, criticar um artista pelo simples fato do estilo musical dele não agradar, é muito mais fácil do que reconhecer o trabalho bem feito e acredite, muitas vezes, ficar calado é uma ajuda muito maior do que separar minutos do seu precioso tempo, tecendo ofensas e menosprezando tudo o que Alok construiu até aqui. Ignorar e deixar para quem quer consumir, é melhor do que tentar diminuir os feitos que ele conseguiu até hoje. Afinal, aceite você ou não, ele ocupa hoje a 11ª do tão desejado TOP 100 da DJ Mag.

Enquanto você está ai, no seu quarto, tentando seu lugar ao sol, deveria refletir na importância de ver a música eletrônica representada na tv aberta. Isso foi um passo gigantesco para todos nós, profissionais do ramo, já que isso pode nos trazer mais oportunidades. Mais espaço. Mais reconhecimento e isso, devemos ao Alok.

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DJ, Produtor, Redator, Libriano e Sonhador. Trance para amar e Techno para dançar, com uma taça de Gin para acompanhar. Onde é o after?

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