UNTER STRØM criam narrativa imersiva no EP ‘Between Forms’

Como uma noite que lentamente dá lugar ao amanhecer, ‘Between Forms’, de UNTER STRØM, reúne quatro capítulos da mesma identidade artística.

UNTER STRØM

Quatro faixas, quatro processos criativos completamente diferentes. Em vez de estabelecer um conceito antes de entrar no estúdio, UNTER STRØM permitiu que cada composição encontrasse seu próprio caminho. Algumas nasceram de encontros planejados, outras surgiram quase por acaso.

Só quando esse material começou a ser reunido ficou evidente que, apesar das origens distintas, havia uma identidade em comum. É dessa convergência inesperada que nasce ‘Between Forms’, EP que apresenta o duo formado por Alex Gonzales e John Kunkel em seu momento mais livre criativamente. Ouça aqui.

Formado por Alex Gonzales, conhecido pelo trabalho à frente do Matte Blvck, e John Kunkel, dos projetos The New Division e John Grand, o duo surgiu após anos de colaboração em diferentes bandas e estúdios. Embora ambos já tivessem carreiras consolidadas, foi somente nesse encontro que encontraram um espaço onde nenhuma ideia precisava partir de um gênero, de uma expectativa comercial ou de uma estrutura previamente definida.

Essa liberdade atravessa todo o EP. A abertura, ‘Orynth’, nasceu a partir de um esboço desenvolvido por Gonzales e expandido por Kunkel até ganhar uma dimensão quase cinematográfica. O começo já impactante, sem muitas enrolações, mostra a potência do EP. Os sintetizadores são marcantes e imersão é total logo nos primeiros instantes.

Já ‘Fold’ representa outro momento do processo. A ideia inicial surgiu durante um voo para Calgary, quando Gonzales começou a experimentar diferentes movimentos de baixo e texturas minimalistas. A partir daí, Kunkel acrescentou novas camadas e detalhes que ampliaram a composição sem alterar sua essência. A experimentação permite ao ouvinte explorar novas possibilidades, mas sem fugir da proposta intensa do EP.

Em ‘Fragment’, pela primeira vez os dois dividiram integralmente o mesmo espaço de criação durante um retiro no histórico Sound Factory, em Los Angeles, permitindo que a música fosse moldada sem prazos, interrupções ou qualquer preocupação em repetir estruturas convencionais. O resultado traz uma música mais contemplativa, funcionando como um ótimo contraponto a abertura do EP.

É justamente ‘Stumbling’, escolhida para encerrar ‘Between Forms‘, que sintetiza essa filosofia. A faixa surgiu quase por acaso, durante uma tarde que sequer havia sido reservada para compor. Em poucas horas, a estrutura principal estava pronta.

Durante meses, a dupla acreditou que voltaria ao projeto para refiná-lo. Isso nunca aconteceu. Com o tempo, perceberam que a força da música estava justamente em preservar a espontaneidade daquele primeiro encontro com a ideia, sem excessos, correções ou revisões intermináveis. A faixa traz uma leveza perfeita para o encerramento, com melodias encatadoras e uma atmosfera perfeita para os primeiros raios de luz do dia.

Há uma coerência silenciosa em ‘Between Forms‘. Não porque todas as faixas soem iguais, mas porque compartilham a mesma maneira de existir: nenhuma delas parece ter sido construída para cumprir uma função específica. Elas documentam diferentes estados criativos de dois artistas acostumados a transformar experimentação em linguagem.

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