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Entrevista

Entrevistamos: NoPorn

Emblemáticos, poéticos e dançantes, o NoPorn conversou com o B4B e falou sobre sua história, adaptação e claro, muito música. Confira!

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Foto: Aruan Viola

Nome importante na cena underground brasileira, o NoPorn traza em sua essência uma visão poética e dançante da música eletrônica. Com 20 anos de história, o duo traz a voz e personalidade de Liana Padilha, que junto ao talento e produções de Lucas Freire, dão uma atmosfera ímpar e que somente o NoPorn possui.

Dias após de lançamentos seu novo álbum, SIM, o NoPorn recebeu o B4B, virtualmente, para uma entrevista que remete as raízes do projeto, o mundo virtual e claro, a pandemia e a falta dos eventos que tanto nos assombram. Confira agora essa conversa. Entrevistamos: NoPorn

Beat for Beat – Olá gente, tudo bem? Primeiramente, agradecemos a entrevista. Noporn é com certeza uma de nossas joias nacionais quando citamos a dance music nos anos 00. Essa não é a primeira formação do projeto, que contou com o Luca na primeira formação. Como vocês, Liana e Lucas se conheceram e como chegaram na conclusão de fazerem música juntos? O que os uniu, seja física, emocional ou musicalmente falando? 

Liana – O NoPorn nasceu em SP no começo dos anos 00. Eu toquei como DJ por 10 anos na noite de SP e tivemos muito tempo criando e atuando nosso primeiro disco de 2006. Em 2012 eu voltei a morar no Rio de Janeiro, onde nasci, para pintar que era o que me movia naqueles tempos. Tinha tocado um álbum inaugural por quase 10 anos e tanto eu quanto o Luca Lauri, queríamos  fazer outras coisas.

Quando cheguei no Rio, entendi realmente o NoPorn, comecei uma vida numa cidade “nova” e fui jogada numa cena de música, liberdade e fervo. Nessa cena, nasceram várias ideias, textos e histórias que eu fui colecionando. Criei com amigos uma banda de música e pintura, tintapreta e voltei a fazer músicas. Paralelamente chamavam o NoPorn pra shows e a gente queria coisas novas. Em 2016 lançamos o segundo álbum BOCA, com histórias que eu estava vivendo/assistindo na noite do Rio.

O Luca Lauri começou a estudar mais profundamente, fazer mestrado, e não conseguia fazer shows, então ele mesmo falou pra eu chamar alguém do tintapreta pra tocar comigo. Eu chamei o Lucas pra tocar o NoPorn comigo, ele se envolveu e começou a fazer músicas. A gente tocou por dois anos em várias cidades do país e naturalmente começamos a criar o terceiro disco, SIM. O NoPorn é um livro de amor.

Lucas – Eu conheci a Liana e me uni a ela pela música mesmo. Normalmente é esse o fator que me move. Nos conhecemos e depois que fiz os primeiros shows com o NoPorn, vi que poderíamos ir mais fundo naquela configuração. Isso calhou com o momento do Luca Lauri, que precisou ficar nos bastidores do grupo por um tempo. A Liana tem muita vontade de criar e vive em torno disso; eu sou assim também, então temos aqui um grande encontro.

Aproveitando o gancho, a identidade do NoPorn está muito ligada à poesia. Como foi que surgiu esse movimento dentro do grupo? Porque declamar e não cantar?

Liana – Porque eu sempre fui muito ligada em textos, palavras e poesia. Também gosto da minha voz e especialmente da voz falada sobre música. Tem gente que canta super bem, eu falo, falei muito cedo, com menos de um ano. Gosto de palavras do som e do poder delas quando são ditas.

De 2006, lançamento do primeiro álbum do projeto, até 2021, o mundo e o Brasil mudou. As relações, identidades e musicalidade receberam fortes interferências da digitalização globalizada. Como foi trazer a era online para o NoPorn? Qual foi a maior dificuldade na adaptação aos novos tempos?

Liana – Eu vim morar em SP em 1992, tive um convite do Andre Fischer (Festival Mix Brasil) para criar arte digital. Desde então então sempre fui muito ligada em “novas mídias”. Quando o NoPorn começou, em 2002, a gente já usava emails, fotolog, myspace. O impacto era bem menor mas quem tem interesse em música eletrônica, sempre foi ligado nisso.

Agora, hoje, quando pessoas que nasceram ou eram crianças na época que o NoPorn começou, ouvem uma música do disco 1 e entendem, gostam, postam e se identificam, acho que é porque o que a gente fala ainda é atual. “Fale para sua aldeia e fale pro mundo”

Lucas – Eu não conheço um mundo musical e criativo diferente deste. Comecei a me aproximar da música muito cedo. E para a minha geração (’89), as descobertas da adolescência e depois da juventude são inseparáveis da internet e da cultura globalizada.

Descobri a música eletrônica numa gaveta de coleção de CD’s do meu pai, depois nos fóruns de internet. Tudo isso muito antes de saber o que era uma pista de dança ou ter contato com cultura noturna e cenas musicais. Nós vivemos o aspecto “online” da coisa o tempo todo, amplificado durante este período de pandemia.

Apesar do projeto ser eletrônico, vocês também sempre estão no circuito alternativo dos eventos brasileiros. Existe uma diferença em tocar nestes dois tipos de eventos? Como fazer para que o NoPorn adapte-se a diversos ambientes, mas sem perder a essência tão característica da dupla?

Liana – Hoje tudo é eletrônico. Fazemos música e poesia, atmosférica, pra dançar, se sentir lindo, sexy. Não somos uma banda pra assistir um show, somos um clima de festa e de liberdade.

A dificuldade não é nossa, é dos eventos de entenderem que a nossa música é pro clima e o público é o que importa, não é espetáculo musical, é para os sentidos, pra dançar e ser livre. É música de festa.

Lucas – Existe uma diferença grande, a das dimensões do palco e do público. Mas por enquanto, mesmo em palcos grandes, a gente prefere criar uma nuvem de liberdade e intimismo e convida os ouvintes a fazerem o mesmo. Uma coisa boa dos festivais é que normalmente as pessoas estão ali muito entregues ao ato de ouvir música e de se deixarem embalar no repertório dos artistas, de sentir cada palavra, cada som. A física é diferente.

Nas noites e baladas menores a cadência é outra; o intimismo acaba levando ao delírio languido dos inferninhos, o público passa a fazer parte do show e tudo repercute intensamente, imediatamente. Acho que muito da essência do NoPorn se criou nessa atmosfera e muitas músicas carregam ela.

NoPorn

Foto: Marlon Brambilla

Seus videoclipes também sempre possuem um impacto muito importante para a música que vocês produzem. Vocês ajudam na escolha da arte audiovisual? Como funciona o processo de criação, gravação e edição dos vídeos? 

Liana – A gente deixa os artistas livres pra fazerem a leitura que sentirem das nossas músicas. Gosto de ter a visão dos outros e não de entregar literalmente o que cada música fala. É muito legal saber o que cada música inspira nos outros.

Lucas – Temos amigas e amigos muito talentosos que fazem parte da nossa história. Artistas que nos brindam com ideias e criações. A gente gosta muito desse estilo de composição para videoclipes, são visões de criadores próximos a nós inspiradas na nossa música. Não costumamos participar do processo, em alguns casos temos reuniões e conversas sobre direção, mas em outros nem isso – são respostas visuais ao som que fazemos.

Vocês exalam a vida noturna. Nesta época em que vivemos, acredito que assim como nós, sofrem muito com a ausência da pista, do calor dos corpos unidos, da música sem preconceitos ecoando em espaços repletos de dança e alegria. Como o NoPorn está fazendo para atravessar todo o caos pandêmico e como ele prepara para o tão aguardado retorno dos eventos?

Liana –  Estamos fazendo músicas e criando pra poder suportar tanta tristeza e desamparo. A vida é feita de pessoas e trocas. A vida importa muito e é fita de pessoas e trocas, a vida noturna importa pouco nesse momento de tantas vidas perdidas.

O que podemos fazer pra aliviar a solidão e o sofrimento é criar arte. E isso a gente não parou nenhum dia de fazer.

Lucas – Estamos em casa, criando, ensaiando, estudando e trabalhando com o que dá neste mercado paralisado. Os dias são todos muito parecidos e o potencial melancólico é muito grande, mas cada dia também é único e perfectível. Temos a sorte de estar em boas condições de saúde e de podermos trabalhar em casa durante a crise sanitária, mas para quem vivia a vida noturna, pulsante, é uma adaptação complicada. Sentimos muita falta de tocar, e já estamos trabalhando para poder voltar aos clubes e palcos assim que for possível.

Hoje, se o NoPorn de 2021 pudesse recitar algum verso para aquele NoPorn de 2006, qual seria? 

Liana – “Quem poderia ver alguma coisa além de sexo.

Lucas – “Não se afobe não, que nada é pra já…”

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Editores do Beat for Beat. Apaixonados pela música, pela pista e uma boa taça de gin.

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