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Heisen: do Rock à música eletrônica, até chegar na Universal Music

Produtor Heisen conta sobre sua trajetória e como conseguiu assinar um lançamento com a renomada gravadora. Confira nossa entrevista.

Heisen

Quando peguei a pauta para escrever sobre o Heisen aqui no Beat For Beat, a ideia era fazer algumas perguntas ao artista e transformar em um texto. A verdade é que, algumas histórias merecem ser contadas na íntegra e por essa razão, optei em deixar no formato entrevista. Meus motivos? Humildade, autenticidade, persistência e uma mensagem muito bacana sobre objetivos me trouxe uma sensação de inspiração.

Para muitos, ingressar na carreira artística, além do teor de coragem e de peitar diversos desafios e percalços, significa uma conexão profunda, sentimental, seja qual for o tipo de arte. Então, quando nos deparamos com alguém que coloca o coração na história, o enredo fica bonito e merece ser contado minuciosamente.

Heisen cruzou cedo com a música, sempre gostou de ouvir de tudo e deixa claro que não tem preconceitos, respeita as diferenças. Também não teve à disposição diversos tipos de equipamentos que rendessem a ele uma produção mais arrojada, mas nem por isso desistiu. Fez o dever de casa e conseguiu feitos importantes na carreira que definitivamente abriram algumas portas bem importantes, que você conhece mais agora:

Beat for Beat – Olá, Heisen! Tudo bem? Obrigada por nos conceder essa entrevista. Bom, vamos do começo. Na sua biografia consta que você, desde muito jovem, se interessou pelo Rock e que isso o levou à música eletrônica. Na verdade não é algo incomum. Qual a relação que você percebe entre os estilos? 

Heisen – Olá, pessoal! Eu que agradeço a oportunidade. Então, eu sempre fui apaixonado por música no geral, desde pequeno sempre tive fitas cassetes que a minha avó comprava. Acho que no meu caso cair na música eletrônica foi algo muito natural, pois lembro da primeira vez que escutei o álbum Substance do New Order, que misturava o Rock ao eletrônico. Esse álbum foi um divisor de águas pra mim, que me fez pesquisar músicas do gênero.

Qual foi seu primeiro contato com a música eletrônica? Algum episódio marcante nessa fase que fez você virar a chave e notar que isso seria mais que paixão? 

Heisen – O primeiro contato que me marcou foi um CD do Planeta DJs da Jovem Pan que tinha as faixas ‘Children‘ do Robert Miles e a ‘L’amour‘ do Gigi D’ Agostino. Lembro de ter uns 5 anos e escutava essas músicas várias vezes por dia, deixava minha mãe quase louca (risos). Mas o que me despertou interesse em produzir de fato e saber o que eu queria da vida, foi o videoclipe do David Guetta da música ‘Gettin’ Over You‘, que se iniciava dentro de um estúdio, quando vi aquilo, virei a chave completamente.

Como surgiu o pseudônimo Heisen? 

Heisen – Esse nome surgiu através de um nickname que eu tinha em um jogo chamado Tibia, na mesma época criei uma rádio on-line para poder apresentar minhas músicas para os meus amigos do colégio e divulgava bastante a rádio no jogo, e todo mundo me chamava de Heisen, o “moleque que faz música”.

O que ele representa e qual legado ele almeja deixar para o mundo?

Heisen – Por mais que eu ainda não tenha chego nem em 10% do que eu almejo, quero deixar o legado de que se você tem um sonho, nunca desista, não importa se você tem os piores equipamentos, se você não tem dinheiro para comprar o melhor monitor, o melhor fone, se a sua família não te apoia, não desista, lá na frente você vai ver que tudo vai valer a pena. Quero fazer músicas que acompanhem as pessoas além das festas, quero poder ser o maestro que vai conduzir os sentimentos das pessoa no dia a dia.

Sabemos que DJs e produtores possuem uma bagagem musical grande e que as influências e inspirações podem vir de diversos lugares. Quais são suas referências musicais e artísticas para o momento de imersão em estúdio?

Heisen – Eu sempre estou escutando música de diversos estilos, desde o Sertanejo ao Heavy Metal, não tenho preconceito musical, entendo que música é aquele sentimento que você grava e eterniza em uma faixa de áudio, então acredito que temos que respeitar todos os estilos. Mas minha maior influência hoje para produzir músicas vem do New Order, Pet Shop Boys, Radiohead e The Who. Eu tento pegar os elementos que mais gosto de cada banda e fazer meu próprio estilo de produzir.

Quais são os produtores nacionais que você acompanha e se inspira para criar?

Heisen – A pessoa que mais inspiro sem dúvida é o Gui Boratto, também me inspiro muito na musicalidade do DJ Meme e aquele toque clubber das minhas faixas sem dúvida nenhuma vem do Renato Ratier.

Heisen

E quais são seus equipamentos de produção mais utilizados no momento? Em média, quanto tempo você passa por dia dentro do estúdio? 

Heisen – Isso dá até vergonha de falar (risos). No momento meu setup é um Notebook Acer Nitro 5, e um fone intra-auricular T110 da JBL. Antes eu tinha uma limitação muito grande por achar que eu não ia conseguir produzir porque não tinha monitor, não tinha interface de áudio, hoje esses são meus melhores equipamentos e estou conseguindo escrever minha história com eles. Passo em média de 4 a 8 horas no estúdio, às vezes gostaria que meu dia tivesse 48 horas, mas meu horário é bem regrado a ponto que eu consiga trabalhar, estudar, produzir e dar atenção a minha noiva.

Em 2019 você lançou ‘Try Again’ pela Warner Music e em 2020 ‘Bad Suggestion‘ foi assinada pela gigante Universal Music. Como você conseguiu esses feitos? 

Heisen – Então, eu já produzo há uns 11 anos e nesse tempo consegui criar uma network com o pessoal dessas gravadoras. De 2015 pra cá, eu me afastei completamente dos palcos como DJ para me focar em apenas produzir, pois eu não queria ser mais um DJ que tocasse música de outros artistas, queria ter no meu repertório músicas autorais. Durante essa fase, estudei o mercado e acabei conhecendo algumas pessoas, uma delas foi o Gonçalo Vinha que hoje é meu A&R e levou meu som nessas gravadoras.

Quais são as dicas valiosas que você daria para os jovens produtores e DJs que estão apenas começando? Que habilidades são fundamentais nessa carreira profissional em sua opinião?

Heisen – Como diria o ET Bilu é: Busquem conhecimento! Minha dica é, não se prendam a fazer o que todos estão fazendo, vá pelo sentido inverso, busque fazer a engenharia reversa de cada artista que você mais escuta, o porquê ele chegou naquele estilo, como ele chegou naquele tipo de som, busquem inspirações fora da música eletrônica, tire todos seus preconceitos para escutar coisas novas.

Não desista de fazer sua música porque você não tem equipamento X ou curso Y, busque ir pra guerra com as armas que você tem. Aprendi uma dica valiosa com meu amigo Marcelo Mansur (DJ Meme), busque ler o manual. Sim, o bom e velho manual, seja do Daw, seja ou dos plugins que você utiliza, lá você aprende coisas que talvez você não aprenderia na internet logo de início. Tire todas suas limitações da sua cabeça que você vai longe.

E para 2021? Quais são os planos de curto, médio e longo prazo durante o ano?

Heisen – A curto prazo, estarei lançando mais um som pela Universal, que ainda é uma surpresa, e a longo prazo estou trabalhando constantemente no meu novo EP que ainda não tem nome, mas já está em fase de finalização. Também tenho trabalhado em alguns remixes que fui convidado a fazer, por incrível que pareça, na pandemia muitas pessoas começaram a descobrir meu projeto, e desde então, tenho tido conquistas e resultados bem expressivos.

Heisen

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Publicitária de formação e curiosa por natureza, trabalho com produção de eventos, impacto social e comunicação. Respiro música, cultura e comportamento e transformo em texto. Já são 15 voltas ao redor do Sol amando a música eletrônica. Na carteirinha consta: Houseira.

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