Descubra: Cacos

Estrelando mais uma coluna descubra, Cacos é um DJ e produtor  de Santa Catarina, um dos redutos undergrounds de nosso país.

Descubra Cacos
Cacos, em uma conversa de boteco, pode ser o que sobra de uma taça após uma queda fatal ao chão. Na música, pode ser fragmentos de uma faixa observados de maneira separada ou, se formos mais específicos, o projeto artístico de Carlos Costa, um experiente DJ e produtor que hoje caminha com passos firmes para capitanear a evolução de sua própria jornada na música eletrônica nacional.

Pesquisador musical desde a década passada, Cacos cresceu e amadureceu frente a uma das principais cenas clubbers da América Latina. Santa Catarina é uma terra fértil para música eletrônica e por isso a região revela tantos bons DJs para o cenário nacional. Com house/techno enraizados no cotidiano de sua região de origem, Carlos se envolveu em definitivo com a dance music em suas duas principais frentes: produção e discotecagem.

Demorou um certo tempo para que ele decidisse se jogar de cabeça nesse universo, mas agora, ao que tudo indica, é um caminho sem volta. Morando em São Paulo e absorvendo as diferentes facetas criativas da cena da cidade, Cacos tem formado um perfil sonoro que flerta com o que há de mais novo na cena global. Carlos também é o criador do projeto Quarto/Fresta e nesse bate-papo exclusivo, nos contou mais sobre os principais planos de sua carreira. Confira:

Beat for Beat – Olá, Cacos! Tudo bem? Antes de mais nada, que tal você começar se apresentando para o público aqui do Beat for Beat?
Cacos – Meu nome é Carlos Costa, tô envolvido com música há uns 16 anos, discotecando há 12. Fui residente do projeto Sounds In Da City, de Florianópolis, cidade que morei por 12 anos antes de vir pra São Paulo. Além disso, eu toco o projeto Quarto/Fresta, gravando sessions de DJs num quarto/estúdio na minha casa.

B4B – Legal! E quando exatamente você começou a comprar discos? Seria uma tarefa muito ingrata pedir para você selecionar seus 5 discos preferidos do momento?
Cacos – A minha relação com o vinil começou quando eu fui morar com um amigo, o Brunno. Ele resgatou uma Technics automática e começou a comprar discos. Eu entrei na onda e comecei a comprar também, coisas brasileiras em sebos e novas em lojas que estavam surgindo, como a Locomotiva. Eu só fui começar a comprar discos pra tocar um tempo depois – viajei pra NY e trouxe um toca-discos na mala (literalmente), e na própria viagem já comecei a garimpar. Fiquei 4 horas na A1 Records, logo depois veio o primeiro pedido na Decks, e aí virou caminho sem volta.

Sobre os discos preferidos no momento: “Love What Happened Here” do James Blake, “Lonely Planet” do Tornado Wallace, “DJ Kicks” do Marcel Dettmann, “Nervous Sex Traffic”, do Call Super, e “Mirage/Rain” do Quentin.

B4B – Como exatamente surgiu a ideia de fazer o Quarto/Fresta? Quais foram os principais aprendizados que você teve com esse projeto?
Cacos – Quando eu mudei pra São Paulo, morava num apartamento maior, que tinha um espaço bom, com os toca-discos (consegui o segundo pra formar o par logo em seguida) e um mixer. Depois de uns meses eu fiquei com a ideia fixa de que eu tinha que botar aquele espaço pra um uso maior do que só meu. Alguns amigos vinham pra umas jams, mas eu achava que tinha que ser mais que isso. Um dia eu peguei uma GoPro emprestada, e gravei um set meu, editei e subi, pra ver o trabalho que dava, já que eu não tenho muita experiência com vídeo. Achei fácil e resolvi fazer o primeiro, o Gezender aceitou o convite para ser cobaia, e assim nasceu o projeto.

Acho que o maior aprendizado foi fazer as coisas na raça. Não tenho patrocínio e o pouco que invisto é pra patrocinar os posts pra dar mais visibilidade. Mesmo assim, o projeto ganhou alguma notoriedade nesse ano e meio!

B4B – Viver em uma cidade como São Paulo é como estar dentro de um turbilhão infinito de informações. De que forma a atmosfera da cidade tem influenciado a forma como você produz e discoteca?
Cacos – Eu moro aqui há 4 anos e parece que não conheço nada. Tem tanta gente passando todos os dias que é tudo sempre novo. Na música é muito incrível porque todo dia tem coisas. Você pode sair terça-feira pra ouvir um soundsystem de dub, um trio de jazz ou um DJ. E são essas múltiplas vivências que influenciam todo mundo que passa por aqui. Pra mim, ter a oportunidade de ver tantos DJs semana após semana é uma da maiores pesquisas atuais. A relação do público com o que se toca nas festas, observar essa simbiose, essa troca, tem sido uma baita escola. Isso influencia diretamente as coisas que eu tenho produzido e tocado.

B4B – Na sua visão, o que a cena nacional tem de mais efervescente no momento? De que forma isso tem impactado a carreira dos novos players?
Cacos – A explosão dos núcleos, a ocupação do espaço urbano, a microinfluência – esse novo jeito pós-bolha da EDM. A galera tá fazendo seu próprio rolê, suas próprias festas, com um gerador e um gazebo; um club pequeno, sem pretensão; a música por ela mesma, com liberdade. A ~cena~ despertou e ainda está despertando pra isso, e consequentemente está permitindo o surgimento de novas sonoridades e oportunidades.

B4B – Sarah foi sua faixa de estreia pela Easytiiger Records e logo de cara veio um lançamento em vinil. O que esse release representa pra você?
Cacos – “Sarah” foi a minha primeira faixa solo lançada, na minha vida. O surgimento de Cacos como persona, deve-se à “Sarah”, porque eu senti necessidade de ter um alter-ego que apoiasse a produção. Então a importância dela é imensa pra mim. Tive a sorte de contar com um remix incrível do Rafael Moura, que foi um dos primeiros DJs da cena eletrônica que me acolheram aqui em SP, e tudo isso com o apoio da Easytiiger, que vem fazendo um trabalho bem foda – com calma, respeitando os artistas e sobretudo a música.

B4B – A última: na sua opinião, o que separa um bom DJ dos demais?
Cacos – Talvez chovendo no molhado, mas pra mim é assim: 60% seleção musical, 20% flow, 15% leitura de pista e 5% técnica. Um bom DJ te leva a onde ele quer.

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DJ, Produtor, Redator, Libriano e Sonhador. Há vinte e tantos anos, embalado pelo Trance.