Time Warp e a transformação de São Paulo na capital do techno

Durante dois dias, toda a atmosfera do circuito underground alemão foi transportado para São Paulo, na estreia do Time Warp Brasil.

Time Warp Brasil Review

Sexta-feira, feriado de finados no Brasil. Para muitos, um feriado mais calmo, introspectivo, de saudades… para outros, a ansiedade e euforia eram as palavras do dia. Techneiros de diversas partes do Brasil e até mesmo do mundo, estavam esperando por apenas uma coisa: a estreia do Time Warp em solo brasileiro.

Quando o relógio marcou 18h, os portões do Sambódromo do Anhembi foram abertos e a jornada de dois dias havia começado. Montado na dispersão da passarela do samba paulistana, o Time Warp apostou no “menos é mais” e nos deu uma pequena amostra daquilo que faz, anualmente na Alemanha.

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Desde a entrada, muitos cartazes com todos os artistas do lineup estavam em todos os lugares. Era impossível não ficar ainda mais na expectativa por aquele set que você tanto queria ver. Logo na entrada, um container no alto com uma grande placa nos recebia: estávamos no Time Warp.

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Como a área que o festival ocupou era relativamente pequena se compararmos com outros festivais e até mesmo com o tamanho do Anhembi em si, os palcos estavam bem próximos e a praça de alimentação entre eles, por isso, fomos recebidos logo de cara pelo Outdoor Stage. Não houve espaço, literalmente, para excessos, mas a disposição do festival ficou bem proporcional ao público presente. Mais uma vez, o “menos” foi bem usado.

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Outdoor Stage

O Outdoor Stage foi o palco que melhor adaptou-se ao atual momento do underground brasileiro, recebendo artistas que foram do House e Disco ao techno mais melódico. Composto com containers e uma estrutura um pouco mais simples, com alguns LEDs, foi ali que Barnt e Kölsch, os nomes mais citados deste palco, fizeram seus sets.

Responsável por um encerramento com chave de diamante, Kölsh nos transportou para outra dimensão. Com um set recheado de hits e clássicos, o dinarmarquês emocionou a todos os presentes. Quando Grey, uma das tracks mais esperados por todos, ecoou pelo Outdoor Stage, o público reagiu como se estivesse recebendo bênçãos divinas: foi um dos melhores amanhecer no sambódromo de toda a sua história.


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Kölsh, no Outdoor Stage

Logo ao lado, na tenda coberta, o techno mais rápido e reto era regra. Com uma estrutura de tirar o fôlego, trazida diretamente da Alemanha, a caverna, ou Cave 2.0, foi a casa dos “mais pesados”. Com belos efeitos sincronizados com as músicas, foi na caverna que grandiosos sets foram executados e mesmo num festival com tantos homens, foram as mulheres que comandaram.

Amelie Lens, o nome mais esperado da sexta-feira, fez muito bonito. Num set que começou sem massagem, metendo o pé na porta logo na primeira track, mantendo-se assim por toda a sua duração e foi um dos sets mais elogiados do festival, o mesmo que aconteceu com nossa queria ANNA, no sábado, após todo o transtorno com o tempo de São Paulo.

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ANNA, na Cave 2.0

Durante a tarde do sábado, uma forte ventania, acompanhada de chuva, atingiu São Paulo e o Time Warp, por questões de segurança, precisou adiar sua abertura das 18h para as 22h. Árvores derrubadas pela força dos ventos estavam por toda a região do Anhembi e temendo por que algo acontecesse ao seu público, o festival achou melhor adiar seu começo, o que só aumentou a ansiedade pelo segundo dia. Às 22h15, já sem ventos e chuva, o som foi ligado e os portões abertos. A noite começou com uma atmosfera mais fria do que a anterior, mas foi preciso pouco tempo até que o público entrasse em sintonia.

Voltando agora para ANNA, na Cave: a artista entrou mais tarde do que o previsto, meia-noite, após dizer em seu Instagram que estava com medo de não tocar por conta do tempo. Mesmo com planos para tocar em 135 bpms, a artista chegou quase lá, nos 132 tradicionais e fez aquilo que faz de melhor: colocou todo mundo pra dançar. Com um set que contou até com Pontapé, o primeiro grande hit de techno brasileiro a ganhar o mundo, de Renato Cohen, ANNA mostrou o porquê é a artista de techno brasileira mais bem falada do mundo e pra provar isso, o próprio Papa Sven Väth tocou uma track da brasileira, logo após ela ter saído do palco, coisa que tem feito por toda a Europa em seus sets. Ser reconhecida pelo Papa Sven não é pra qualquer um!

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Sven Väth

Falando em Sven, acho que não precisamos dizer muita coisa: em mais um set épico, mas que infelizmente foi reduzido 30 minutos por conta do atraso da abertura dos portões, o Papa fez sua mágica e abençoou todos os presentes com o chiado do vinil e o barulho da agulha batendo nos discos. Outro grande destaque da noite ficou por conta de Ilario Alicante e a track de techno mais tocada no mundo todo neste ano. Quando os primeiros acordes de “Your Mind” de Adam Beyer e Bart Skils tomaram conta da Cave, o êxtase foi generalizado.

 

Pequeno em espaço, grande no coração dos presentes. Mesmo com alguns erros, como a disposição de poucos banheiros e a falta de sinalização em alguns; poucas lixeiras na pista (o lixo era muito grande no fim do segundo dia) e a cerveja ter acabado, também no segundo dia, o Time Warp cumpriu bem seu missão: fazer uma grande estreia no Brasil.

Num ano em que tantos eventos de techno aconteceram, fica impossível não compara-los, mas cada um tem uma proposta e o Time Warp nos proporcionou uma experiência inesquecível: trouxe a Alemanha para o Sambódromo e transformou São Paulo, durante duas noites, na capital do techno mundial.

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Até ano que vem, Time Warp!

Imagens: Acervo Beat for Beat | Facebook Time Warp


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DJ, Produtor, Redator, Libriano e Sonhador. Há vinte e tantos anos, embalado pelo Trance.